Corrupção: temos como medir?

Falar de corrupção no cenário brasileiro tem sido bastante recorrente.

A corrupção por sua vez, decorre de falhas e/ou ineficiências na execução de operações que as destorcem e/ou desvirtuam do que fora planejado. Naturalmente, ela é influenciada por aspectos de controles insuficientes e falhas regulatórias, que permitem um ambiente passível de um comportamento oportunista para aqueles que estão à frente das organizações.

Assim, saber o tamanho da corrupção tem sido algo inquietante nos últimos tempos. Talvez quantificá-la, em termos monetários, seja algo bastante complicado, abstrato ou arriscado, mas estabelecer um termômetro do quanto a presença da corrupção está instalada na sociedade, talvez seja o primeiro passo.

Nesse sentido, a ONG Transparency Internacional criou o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), que consiste numa métrica para estimar níveis de percepção de corrupção no setor público em todo mundo.

O IPC usa uma escala de zero (altamente corrupto) a 100 (altamente íntegro). Dos 180 países avaliados pelo índice de 2017, mais de dois terços receberam uma nota abaixo de 50, demonstrando que a corrupção é um mal alastrado por todo o planeta. De acordo com a organização, isso significa que mais de seis bilhões de pessoas vivem em países que são corruptos.

No entanto, nenhum país tem uma nota perfeita. Muitos países que são menos corruptos ainda sofrem com tomadas de decisões pouco transparentes, abrigam finanças ilícitas ou toleram inconsistências na aplicação da lei. Os governos devem fazer mais de modo a servir melhor seus cidadãos e cidadãs, se engajar com a sociedade civil, apoiar a imprensa livre, proteger ativistas e jornalistas e garantir transparência e accountability nos setores público e privado. Estes são passos essenciais na luta global contra a corrupção.

E como está o Brasil em se tratando do Índice de Percepção da Corrupção (IPC)?

Em 2017, o País ficou na 96ª colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), onde antes sua posição era a 79ª (ano anterior), ou seja, houve uma piora de 17 posições no ranking, pois quanto pior a colocação, maior a percepção da corrupção naquele país.

Fizemos uma breve análise para situar o Brasil nesse ranking nos últimos 6 anos (2012 a 2017) e comparamos com o país tido como o mais íntegro (menos corrupto) em 2017 (Nova Zelândia); comparamos também com um país vizinho ao nosso, ao qual podemos nos equiparar, o Uruguai; e, extraímos as médias tanto do continente americano, quanto  todos os países da base de dados. Os resultados disso, encontram-se no gráfico a seguir.

IPC 2012 a 2017
ÍNDICE DE PERCEPÇÃO DA CORRUPÇÃO (2012 a 2017); Fonte: Transparency Internacional (2017)

Verificamos que a distância do Brasil para a Nova Zelândia (1º no ranking) e até mesmo para o Uruguai (8º) é um fosso enorme. Além disso, observe que o Brasil está com nota relativamente abaixo da média da América e a Mundial. Somado a isto, a tendência de queda que o indicador vem apresentando a partir de 2014 é notória, demonstrando que a corrupção parece estar mais fortemente presente no Brasil ou temos menos resolutividade nos problemas relacionados à corrupção, o que torna a situação brasileira ainda mais preocupante.

Além disso, o próprio site da Transparency Internacional já demonstra geograficamente a situação dos países, e uma delas é a situação da América, apresentada abaixo, que quanto mais vermelho, pior a percepção da corrupção no país.

Corrupção das Américas
Fonte: Transparency Internacional (2017)

Assim, verificamos que a situação da América Latina como um todo é bastante preocupante, dada a pigmentação vermelha escura em quase todo o continente. Para além disso, a imagem demonstra que o Brasil ocupa posições bem atrás de diversos outros países americanos.

Diante disso, reforçamos a necessidade de termos uma sociedade unida no combate à corrupção, na luta por instituições íntegras e em aspectos regulatórios abrangentes, eficientes e eficazes. Só assim poderemos melhorar nosso cenário negativo.

Você já conhecia o Transparency Internacional?

Acesse o site (transparency.org) e veja maiores informações.

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