Ciência para explicar a frenética corrida para as eleições 2018: como justificar a enxurrada de fake news?

Sabemos que neste segundo turno de eleições para presidente, ambos os candidatos sofrem altíssimos índices de rejeição. A escolha do candidato ocorre, não pela simpatia pelas propostas ou pelo carisma, mas pela rejeição absoluta ao outro candidato. Para entender melhor por que isso acontece, a revista Superinteressante recorreu a ciência para explicar um ponto de vista que vai além da análise dos planos de governo e valores dos candidatos: a complexidade do cérebro dos eleitores.

“E ele traz à tona uma resposta incômoda: a de que somos mais intolerantes do que admitimos”.

Segundo a revista, a neurociência defende que para situações de intolerância como estas, um pilar da psicologia evolutiva prevalece: “nosso cérebro não foi projetado para encarar a tarefa de viver em grupos complexos. Nossos instintos não toleram a ideia de conviver com quem pensa de forma distinta – muito menos oposta”. O cérebro criou mecanismos para proteger os laços tribais. Um deles é o “viés de confirmação” já comentado aqui no blog.

Para a revista, um bom argumento para a divulgação de notícias falsas é que:

“O comportamento tribal enfraquece a razão na hora do voto: coloca superstições no centro das nossas escolhas”.

E assim, sob as piores acusações de “corrupto”, “fascista” e etc, cada grupo segue tentando, (nem sempre baseado na razão e usando de todos os métodos possíveis) convencer o outro de que o lado correto e forte é este ou aquele, criando códigos morais excludentes para cada tribo.

Parece muito óbvio? Podemos pensar em outra explicação. A BBC News (em 2017) escreveu sobre “como ‘comportamento de manada’ permite manipulação da opinião pública por fakes”.

A BBC Brasil investigou em 2014 uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa  no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública. Foram detectados indícios de que os mais de 100 perfis detectados no Twitter e no Facebook sejam apenas a ponta do iceberg de uma problema muito mais amplo no Brasil, que quatro anos depois, se repete.

Não é nova a estratégia de influenciar usuários nas redes sociais, incluindo a ação conjunta de uma hashtag, retuítes de políticos, curtidas em suas postagens, comentários elogiosos, ataques coordenados a adversários e até mesmo falsos “debates” entre os fakes.

Esses exércitos de perfis falsos produzem notícias falsas, que influenciam pessoas e acabam por criar uma tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual (criando o efeito manada).

A lógica fica ainda mais clara na fala do professor Fabrício Benevenuto, reproduzida pela BBC:

“Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso”, diz Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a atuação de usuários nas redes sociais”.

 

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