Escândalos de Corrupção, Reformas e Caça às Bruxas

Nesse post, abordarei comentários das autoras Rose-Ackerman e Palifka no livro denominado Corrupção e Governo: causas, consequências e reforma de 2016. Esse livro em questão é uma segunda edição de um material que é referência ao se abordar o tema corrupção e fomos motivados a lê-lo para a matéria de Administração Pública e Organizações da Profa. Dra. Andréa Gonçalves no doutorado da Universidade de Brasília.

Além dos vários pontos dos livros que parecem descrever a situação atual brasileira – apesar do livro retratar a corrupção como fenômeno mundial – me chamou a atenção as passagens contidas no ponto “Começando e Sustentando a Reforma” (pg. 429) no capítulo sobre “Condições Locais para a Reforma”.

“Escândalos de corrupção alimentados pela mídia independente deram início à reformas em vários sistemas políticas” e no Brasil não poderia ser diferente. Os recentes escândalos de corrupção fomentaram as discussões sobre a necessidade de se promover reformas no país.

Entretanto, as autoras destacam que “infelizmente (…) apesar de escândalos e crises possam colocar a corrupção nos holofotes, eles nem sempre direcionam as reformas para direções úteis. Isso destaca um dilema central. Se uma crise produz grande apoio para mudanças, os políticos devem agir com rapidez, às vezes sem planejamento suficiente ou conselhos de especialistas.”

Acredito que podemos aprender aqui no Brasil com os ensinamentos das professoras. Vivemos hoje uma maré reformista que aparentemente não se preocupa em debater com a sociedade e com as instituições suas reais motivações, necessidades. Dessa forma, vemos esse tipo de notícia.

Outro ponto digno de nota, na sequência, diz sobre a culpa da mídia em frequentemente personificar as notícias, ou seja, focar nos indivíduos no centro do escândalo da corrupção e ignorar as condições sistêmicas de incentivo àquela prática. Não devemos concentrar nosso ódio, nosso protesto, em um partido ou em um político apenas, a corrupção é generalizada.

Completando, as autoras sugerem que os governos devem fazer mais do que apenas punir os culpados, devendo buscar a redução de incentivos à corrupção. O risco de contrariar essa sugestão é que as campanhas anticorrupção tendem a virar uma simples “caça às bruxas que tende a desproporcionalmente perseguir os oponentes do regime político

Logo, conclui-se que é necessário que os cidadãos brasileiros tenham calma nesse momento de turbulência política, econômica, para que não se permita que reformas sejam feitas sem o devido debate e participação ampla da sociedade. O Brasil está numa cova funda e eu espero que as reformas sejam a mão que nos resgata e não a pá que nos sepulta.

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